Sebastião Rodrigues, o mineiro que fez da Educação seu mundo

Rosi Oliveira / Especial DS 15/06/2018 Memória

Sebastião Rodrigues dos Santos

Memória

Mais de trinta anos de vida dedicados à Educação. Esse foi o legado deixado por Sebastião Rodrigues dos Santos, que encontrou nela uma forma de transformação tanto para a sua, quanto para a vida dos que o rodeavam.
Nascido em 16 de maio,  no ano de 1947, em Pescador-Minas Gerais, cresceu em uma família numerosa com 12 irmãos,  e desde muito cedo, teve que pegar no arado, ou seja, ajudar os pais na lida diária.
Os anos se passam, e a família segue labutando no pequeno sítio,  onde mexiam com leite, mas depois de um tempo, os pais  decidem se mudar para Nova Módica, também em Minas, onde a família adquiriu terras.
No  ano de 1973 o pai houve falar de Tangará da Serra e decide vir conhecer devido aos inúmeros comentários sobre o lugar, sendo todos bastante alvissareiros. “O meu sogro veio aqui como todos vem, para conhecer a cidade que era comentada no ano de 1973”, narra a esposa Neuza Delcaro dos Santos.
Ao chegar no pequeno povoado, o patriarca fica bastante admirado com o lugar e adquire terras na região da Água Branca. “O meu sogro voltou e mandou um filho dele que já era casado vir tomar conta das terras aqui”, relata, destacando que o pai  de Sebastião nunca se mudou para Tangará da Serra.
Como os comentário de que o local se desenvolvia bastante, Sebastião que já havia a esse tempo se formado em Valadares decide vir para Tangará.

Sebastião um apaixonado pela Educação

Ao chegar no povoado no ano de 1973 com 27 anos, encontra um conhecido conterrâneo e começa a trabalhar com ele em um escritório de contabilidade e pela falta de professores, no período da noite lecionava na escola 29 de Novembro.
No ano de 1974, lecionando, conhece Neuza que fazia o curso Normal, e como já era conhecido de familiares que haviam vindo antes, frequentava a casa deles, onde sempre se viam. Os dois iniciam então  um namoro, graças aos encantos de Neuza que fez com que a notasse, com quem se casa após  um ano  e oito meses de namoro. Ele com 29 anos e ela com 21. Ficaram juntos por 34 anos mais o período de namoro.
Do enlace nasceram dois filhos: Marcelo hoje com 40 anos e Analice com 37.
Com o passar dos anos, Sebastião se formou como especialista em Educação e passou a ficar sempre à frente de coordenação ou direção escolar. Sendo diretor da escola Emanuel Pinheiro por 30 anos.
Durante os relatos da esposa, Sebastião foi apresentado como um homem humilde, que nunca dispensava alguém vazio, fosse de um bem material, ou de apenas uma palavra amiga. “Ele era bem calado, não era de falar sem pensar. Nunca dava uma resposta para uma pessoa sem ter certeza do que ia falar”.

“Eu acho que ele não sabia viver sem a escola”, lembra esposa

Em Tangará da Serra além de se envolver com a Educação, foi vereador por um mandato. De 1989 a 1992. Participou da Coomivale no conselho fiscal, foi presidente da  Associação de Energia Rural, na linha 12, Pé de Galinha, ganhou prêmio de vaca leiteira e participou da avicultura.
“O Sebastião era um apaixonado pela educação e pelas crianças e por muitas vezes, deixou a família em segundo plano para se dedicar a elas. Nunca gozou uma licença e trabalhava todos os dias da semana nos três períodos e ele não precisava fazer isso. Eu acho que ele não sabia viver sem a escola”, frisa Neuza, lembrando que a feira também era sua segunda paixão. “Mesmo que não precisasse comprar nada, ele ia à feira. Ele gostava de pessoas simples e verdadeiras. Tem muitas coisas marcadas em mim e o  Sebastião sempre teve mais valor para minha família do que eu, pela forma que ele era. Eu sou falante e explosiva, ele ponderado e centrado. Tanto que a forma dele me alertar nunca foi falando, falando, falando, mas mostrando. Ele era muito de mostrar os efeitos das nossas reações”, conta, lembrando que muitas vezes o esposo a levou na Apae e no Lar dos Idosos para chamá-la à realidade.

A Homenagem

Sebastião foi um ícone na Educação de Tangará da Serra. Deixou lembranças e marcas que jamais se apagarão. Partiu em 2010, após um longo período  com diagnóstico de Guillain Barré, após se curar de um câncer na faringe com membros inferiores e superiores paralisados, mexendo somente o pescoço. Reconhecendo os serviços prestados, o Município o homenageou esse ano, 2018, nas comemorações de aniversário da cidade, anunciando a construção de escola no bairro Morada do Sol, que levará seu nome.



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