Sivaldo José Gonçalves Ferreira: Na fé encontrou seu porto seguro

Rosi Oliveira / Especial DS 29/06/2018 Memória

Sivaldo José Gonçalves Ferreira

Memória

Um homem de coração bondoso que tinha na fé seu ideal de vida. Assim podemos descrever Sivaldo José Gonçalves Ferreira, que nos foi apresentado pelo filho caçula Cleber bastante emocionado. “Quando ele sentia que as coisas não estavam fáceis, porque criar esse tanto de filhos não era fácil, ele saía de fininho e ia ali para traz da casa e lá ele chorava, chorava. Depois vinha com aquela alegria de sempre, mas a gente sabia que ele havia chorado. Suponho que nesse momento estava conversando com Deus seu grande amigo”, comentou o filho.
Sivaldo nasceu no dia 12 de novembro de 1952 na cidade de São Jorge do Ivaí, estado do Paraná. A família composta por mais 11 irmãos era pobre e sempre lidou na terra e sendo um dos mais velhos, como rezava a tradição, ajudou a criar os menores, mas nunca reclamou, tamanha sua natureza para o trabalho. Sempre pronto a aprender e a nunca desistir.
Desde criança demonstrou-se diferente devido sua bondade e principalmente seu espírito de religiosidade. Estudou somente atá a terceira série, mas isso não o impedia de liderar, sendo missionário na região onde morava como catequista. Os anos passam e em 1974 conhece Ilda Alonso Ferreira com quem se casa quase dois anos depois. Do casamento nasceram os filhos:Odair, José Carlos, Valdinei, Lucilene, Alécio, Eder e Cleber.
A vida segue e o casal se empenha para criar a família sempre buscando melhorias até que por volta dos anos 70, ouve, através do rádio, falar de terras à venda no estado de Mato Grosso por meio da  Sociedade Imobiliária Tupã da Agricultura (Sita), o que desperta vontade em seu pai, de conhecer o lugar.

Por dias melhores, pôs-se a desbravar outras terras

Sob a crença e esperança no café, a família de seu Manoel (pai de Sivaldo) com os onze filhos muda-se para Tangará da Serra,  no ano de 1976, numa viagem que segundo a esposa de Sivaldo durou catorze  dias. “A estrada era muito ruim, sem asfalto e viemos todos em uma Rural. Quando chegamos na serra todo mundo tinha que descer e ir calçando os pneus do carro para ele não voltar. Eu vim com uma criança de seis meses, foi bem sofrido”, pontua, assegurando que nunca pensou em não vir, porque amava o marido e iria onde quer que ele fosse.
Ao chegar em Tangará, a família adquire terras na região do Bezerro Vermelho.  Sivaldo logo tratou de procurar a coordenação da igreja matriz, na época localizada onde hoje é a rotatória central, se apresentou e assim começou a atuar na vida missionária, sendo na região do assentamento onde morava, o primeiro catequista e por sua mobilização junto aos moradores do local, logo uma capela foi construída, onde aconteciam as celebrações.

Um pai que de muito se privou em face dos seus

Com os filhos crescendo, outras necessidades foram surgindo, como estudo por exemplo. Por  esse motivo, no ano de 1980 a família se muda para Tangará, quando a dificuldade aumenta consideravelmente, pois começam a pagar aluguel, mas mesmo em meio a pobreza ele não se abalava. “Faltava luxo,  mas sobrava amor”, comenta o filho com lágrimas nos olhos.
Com as dificuldades havia ainda mais necessidade de trabalhar para criar os sete filhos. Graças a sua simplicidade, logo ficou conhecido na cidade e as portas foram se abrindo. Trabalhou em vários mercados como motorista e repositor de mercadorias, dentre eles, o Mercado Mendes, do falecido Eli Mendes, com quem tinha uma amizade bastante estreita, segundo relatos dos familiares.“Como o serviço dele era no mercado muitas vezes não via o dinheiro, ficava tudo lá. Para ele não tinha luxo era simples de tudo e minha mãe tinha muitas vezes que brigar para ele se arrumar. Não tinha luxo com ele, era simples de tudo. O que me comove muito é que ele com a fé dele mostrou que não precisa ser rico para ter uma família feliz”, comenta Cleber extremamente emocionado ao se lembrar do pai.
Embora trabalhasse muito, nunca deixou de lado os afazeres da igreja. “O que muito me chama a atenção, além de ser um grande pai, em relação a dificuldade e pobreza que passou, cuidar de sete filhos numa simplicidade tão grande e nunca deixou nada faltar. Ele deixava de ter as coisas para ele para ver os filhos bem. E sempre pregava a religião. Sempre na igreja e mesmo na dificuldade, nas correrias ele sempre tinha um tempo para servir a igreja. Por mais que fosse difícil”, pontua.

A Homenagem

Mas como nessa vida as mais belas flores são colhidas primeiro, um dia Sivaldo se foi. Cumpriu sua missão com honra, caráter, humildade e o mais importante, muito amor. Assim como fazia todos os dias, levantou-se pela manhã e saiu para o trabalho, já deixando acertado para a noite uma reunião para tratar de assuntos relacionados a igreja, colocando mais uma vez a fé em ação. Ao chegar no trabalho, Sivaldo sofreu uma queda de altura que tirou-lhe infelizmente a vida, deixando órfãos não somente a família que até hoje sente sua falta tanto nas alegrias, como foi a chegada da primeira bisneta e também nas tristezas, como a perda de Sara que partiu durante a semana,  filha de Eli Mendes, grande amigo de Sivaldo.
Por tamanha dedicação a uma terra que se tornou sua, Tangará da Serra, pela indicação do vereador Sebastian, teve seu nome imortalizado no Município e através da série Memórias, algumas pessoas ao verem a rua saberão sua história. A rua que leva seu nome é a antiga 56 do Jardim Europa.

 



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