MT 170 - Descaso do Governo pode interromper tráfego em ponte

Mano Reski - Da redação 03/08/2018 Política
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Já está virando clichê as reclamações de produtores para que o Governo faça as manutenções devidas na ponte sobre o Rio Formoso, na MT 170, próximo ao Distrito de São Jorge. Todo ano as reclamações aparecem e a ponte só está recebendo tráfego, porque os próprios produtores fazem investimentos para a realização de obras paliativas. Somente uma fazenda da região investiu mais de R$ 60 mil nos últimos meses.
Além de atender a população de São Jorge e aldeias indígenas, a ponte é necessária para a demanda de cerca de quinze fazendas de gado da região, assim como para a produção de grãos de pequenos produtores rurais.
Para se ter ideia da importância da ponte, somente a fazenda que realizou investimentos no local e também em trechos da rodovia que não possui pavimento asfáltico, deverá produzir e comercializar cerca de 135 mil bovinos nos próximos doze meses, mais de 9 mil passam sobre a ponte todos os meses, transportados por caminhões de grande porte.
Se isso não bastasse, somente uma fazenda da região e que depende dessa ponte tem hoje cerca de 50 frentes de obras, de alvenaria, cercas, galpões de confinamento e estradas, empregando mais de 200 pessoas diretamente ou através de outras 10 empreiteiras que prestam serviço pra ela.
Além do gado, todos os produtos necessários para as obras, mais os produtos para composição da ração usada no sistema de confinamento, também são transportados por essa rodovia. Uma única fazenda prepara trezentas toneladas de ração por dia.
O curioso, e que mostra o total descaso do Governo, é que Tangará da Serra arrecada acima de R$ 45 milhões por ano com o Fethab; somente uma fazenda da região arrecada mais de R$ 3 milhões/ano. Esses números foram apurados junto ao Executivo Municipal e aos próprios empresários. Apesar de números grandiosos de uma região que está sendo chamada até de a “Dubai” do boi, não existem investimentos governamentais na rodovia e tampouco nas pontes, descaso que ocorre desde governos passados.
Nossa reportagem tentou contato com o Secretário de Estado de Infra Estrutura, Marcelo Duarte, ainda na tarde de quinta-feira e obteve resposta somente no final da tarde de sexta-feira após reiterar o pedido. Na resposta o Secretário afirmou que, depois de ser cobrado pelo Deputado Estadual Saturnino Masson durante visita as obras da Rodovia MT 246 naquele dia, encaminhou os engenheiros da Sinfra ao local, “para fazer o levantamento do quantitativo do custo dessa ponte, para viabilizar orçamento para fazer a reforma dela”.
A assessoria do Deputado confirmou a visita ao local na tarde da sexta-feira, mas não informou qual a definição dos técnicos.

Para Selton Vieira, ponte é dever do Estado

Procurado pela reportagem do DS, o Secretário Municipal de Infraestrutura, Selton Vieira, afirmou que constantemente recebe a cobrança dos produtores da região e embora tenha vontade de resolver o problema, enfrenta dificuldades em razão da demanda de recursos.
Segundo ele, o Município já substituiu nos últimos dois anos cerca de quarenta pontes de madeira para concreto, inclusive algumas acima de doze metros, onde a Lei do Fethab diz que são de responsabilidade do Governo Estadual.
“Os poucos recursos do Fethab encaminhados pelo Estado são insuficientes para atender uma malha viária de mais de 3 mil quilômetros de estradas não pavimentadas”, garante Selton, afirmando ainda que para o Município cabe apenas uma parcela sobre o imposto cobrado sobre o transporte do Diesel e deverá fechar em R$ 2 milhões em doze meses.
O Secretário acompanhou o DS na visita ao local e também a algumas propriedades da região,  mostrou documentos protocolados junto ao Governo do Estado, mostrando também a situação, especialmente de quatro pontes de madeira com mais de 40 metros de extensão, sobre os rios Formoso, Juba e Tapira.



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