Brinquedos tradicionais x brinquedos tecnológicos

Célia Alexandre Nogueira e Maria da Conceição Barroso da Silva Santos 28/09/2018 Artigos

"As crianças de hoje pouco sabem dos brinquedos e brincadeiras tradicionais"

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Com a evolução da tecnologia em todos os setores, o mercado dos brinquedos infantis vem se tornando cada dia mais moderno e atrativo aos olhos das crianças. A variedade de cores, luzes, sons, texturas, etc, seduz rapidamente esse público curioso e consumista. As famílias, cada vez mais imersas no trabalho e na busca do crescimento financeiro, tem menos tempo para os filhos, e esse tempo é preenchido por esses brinquedos. As crianças de hoje pouco sabem dos brinquedos e brincadeiras tradicionais que nós, nossos pais e avós tivemos a oportunidade de conhecer, construir e brincar. Muitas desses brinquedos e brincadeiras que fazem da nossa infância tiveram grande contribuição para estimular nossa criatividade, coordenação motora, imaginação, percepção visual, auditiva e tátil e a concentração, enquanto a maioria dos brinquedos atuais, pouco exige da criança.  A escola vem resgatando essa cultura implícita nos brinquedos e brincadeiras tradicionais para não se perderem. Eles estimulam a capacidade de imaginação e criação das crianças que só conhecem o brinquedo industrializado.  É notório em nossa sociedade tecnológica e consumista, que, muitas das brincadeiras tradicionais estão sendo esquecidas e abandonadas substituídas por brinquedos eletrônicos que não promovem nenhuma interação, exigindo a mínima participação da criança, pois alguns requerem apenas o apertar de botões, impedindo a mesma de raciocinar. Rapidamente, as crianças perdem o interesse por eles, sendo substituídos por outros promovidos pela mídia. Passam horas sentadas ou até mesmo deitadas, consomem enorme quantidade de alimentos industrializados e maléficos à saúde, sem perceber.  Tornam-se ansiosas, sedentárias e obesas, e, em muitos casos, necessitando de  atendimento psicológico por desenvolverem problemas como transtornos de ansiedade e depressão, ocasionados provavelmente pelo isolamento das muitas horas que passam brincando sozinhos. Muitos pais, sem perceber, se acomodam diante dessa situação, pois, veem nesses brinquedos, uma forma de satisfazer a vontade e ocupar o tempo da criança, sem estabelecer limites de uso para esses brinquedos. Em determinadas famílias, até mesmo os adultos tem gosto por eles, trazendo consequências ainda piores, pois, cada um fica com o seu, calados e inertes, sem nenhuma interação, por horas e horas. Não é estabelecido um limite do uso, não se leva em consideração a faixa etária e o horário adequado para a criança dormir, o que consequentemente irá refletir de forma negativa na aprendizagem. Nesses casos, a criança se mostra sonolenta, irritada, indisposta e desatenta, e, dificilmente demonstra interesse pelas atividades propostas, principalmente as que exigem movimentos ou raciocínio. Na escola, o envolvimento das crianças que não tem contato com as tecnologias, ou mesmo as que os possuem, porém com limites de uso diário,  na construção de brinquedos tradicionais é bastante significativo. Percebemos neles, a alegria e o prazer em brincar com algo que por eles foi produzido, até mesmo uma simples bola, construída a partir de sobras de jornais, brinquedo esse que estimula a coordenação motora ao tentar moldar a forma, a percepção de tamanho, entre outras habilidades, além de reforçar a autoestima da criança ao ver o que foi capaz de construir, independente do grau de complexidade. Enfim, alguns brinquedos modernos podem sim trazer desenvolvimento, porém, o uso deve ser limitado, evitando que a criança deixe de vivenciar sua infância de forma construtiva e saudável.  

 

Célia Alexandre Nogueira
Pedagoga formada pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2001). Pós-Graduada em Gestão Escolar pelo Instituto Cuiabano de Educação (2003).

Maria da Conceição Barroso da Silva Santos 
Pedagoga formada pela Instituição Tangaraense de Educação e Cultura (2007). Pós-Graduada em Educação Especial/AEE pelo Instituto Cuiabano de Educação (2010). 

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