Alvadi Monticelli, o homem de uma palavra só

Rosi Oliveira / Especial DS 26/10/2018 Memória

Família se mudou para Tangará da Serra no ano de 1978

Alvadi Moticelli

“Meu pai era um homem de imensa responsabilidade. Sua palavra era uma só, e assim fomos criados. Ele era tão certo em suas coisas que quando foi prefeito em Nova Cantu  ele chegou a vender uma fazenda nossa para pagar os funcionários que estavam com os salários atrasados há seis meses”. Assim Alvadi Moticelli foi-me apresentado em uma tarde chuvosa de outubro pelas filhas Claudete  e Regina e pela esposa saudosa, dona Jacira como é conhecida. Segundo a esposa, esse acontecimento foi um dos motivos da família vir parar em terras mato-grossenses.


Nascido em uma família de recursos remediados, no dia 07/11/1930, em Piratuba- Santa Catarina, foi o segundo filho de cinco, e por esse motivo acabou aprendendo desde bem cedo a lidar com o trabalho e com a responsabilidade.


Em 1954 mudou-se para Nova Cantu no Paraná, onde instalou o primeiro comércio de secos e molhados e o primeiro açougue. Ali foi cartorário e segundo prefeito. Ali  também conheceu aos  20 anos, Rosa Zeneide (conhecida como Jacira), de  17 anos com quem se casou um tempo depois, tendo do casal nascido os filhos:  João Carlos, Claudete, Regina, Marisa, Marisete e Angela.


A família ficou lidando na terra e Alvadi acabou se aventurando no campo da política, sendo o segundo prefeito de  Nova Cantu. Mas essa fase não foi lá muito alvissareira como comentado no início dessa história. 


Embora fosse difícil, era hora de mudar

Pisando em um campo minado, a política, segundo a esposa, eram dias difíceis em que até ameaças eram ouvidas, por esse motivo, Jacira ficava apreensiva e o que mais queria era que o marido saísse dessa vida. Em certa feita, ouviu falar de Tangará. “Ele decidiu vir para Mato Grosso, então veio até Barra do Bugres e lá um senhor disse para ele não comprar nada lá, que viesse conhecer aqui porque, aqui desenvolveria mais e era muito melhor que lá. Então ele disse, eu não vou subir lá não, por causa da chuvarada, não dava para subir. Ele voltou para traz e quando meu filho terminou a faculdade, os dois vieram conhecer”, relata a esposa.


Aqui compraram uma fazenda onde hoje é a Empa. No ano de 1978 a família se muda, mas sob a exigência ferrenha de Jacira, de que nunca mais Alvadi se envolvesse em política, o que honrou até o dia de sua partida.


Aqui se instalaram na fazenda, onde plantou soja, arroz,  e tinha uma criação de porcos  das raças Landrache e Lighewhite.


Já em solo tangaraense foi o primeiro secretário da Comivale e também um de seus idealizadores. Foi membro presidente de honra do PDT. Tempos depois teve um problema cardíaco que o impossibilitou de continuar a trabalhar com fazia, sendo assim, vendeu a fazenda e se mudou para Tangará da Serra, em 1980, mas continuou com um pequeno sítio na Linha 12, onde mexia com leite e fazia serviços mais leves.


Embora nunca mais tenha se colocado a frente como candidato, Alvadi nutria profundo amor pela política e ficava no apoio, o que fez com Jaime Muraro, Thaís Barbosa e Porfírio. “Ele nunca esteve a frente, mas estava nos palanques dando apoio. Ele ficava por traz ele gostava, né?”, relembra a filha, saudosa.


Até os gigantes partem...

Embora cuidasse bem da saúde, acabou sendo acometido de um câncer no rim que acabou se espalhando para outros órgãos do corpo e em apenas seis meses lhe ceifou a vida, apesar de ter realizado uma cirurgia para que seus dias fossem prolongados. Mas mesmo doente, nunca perdeu a meiguice e o encantamento por fazer as pessoas sorrirem. “Meu pai era muito alegre e amava ver as filhas bem arrumadas. Gostava de ver a gente maquiada e dizia que ele gostava tanto de mulher, que Deus deu cinco para ele”, recorda Claudete emocionada.


A homenagem

Em reconhecimento aos serviços prestados a cidade que muito amou, Tangará da Serra, recebeu a belíssima homenagem de ter seu nome imortalizado em uma das ruas do Município, que muito em breve inclusive, deverá ser uma nova avenida da cidade. A rua que leva seu nome é a antiga Rua 5 que faz a ligação do centro da cidade com o Jardim dos Ipês, passando pelo Jardim Shangri-lá e está situada na lateral do quartel do Corpo de Bombeiros de Tangará. Alvadi partiu, no dia 28/07/2001, deixando um legado de lisura e caráter que é seguido pelos filhos, netos e bisnetos que aprenderam a amar a cidade que os acolheu e onde repousa o patriarca da família Monticelli.



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