Ranulfo Rodrigues Cunha, o cigano mineiro

Redação DS 13/10/2017 Memória

Ranulfo Rodrigues Cunha

Memória

Filho de Onésio Rodrigues Cunha e Maria Madalena Alves Ramos, Ranulfo Rodrigues Cunha, nasceu  em 19 de outubro de 1935 na cidade de Uberlândia, Minas Gerais- MG. Depois de certo tempo, a família se mudou para Quirinópolis, onde conhece aquela que seria a primeira e única companheira de toda vida.
A família de Ranulfo era cigana e os casamentos entre primos era uma tradição, o que se repetiu entre ele e Alda Alves Cunha.
Da união do casal, nasceram os filhos:  Lena, Irani, Zilma, Nilva, Orceni, Ranulfinho e Lúcia. Da prole de sete filhos, o casal teve 19 netos e 18 bisnetos.
A família cresceu, e Ranulfo decide então se mudar para Dourados, Mato Grosso do Sul, que há época era ainda Mato Grosso, onde permanece por apenas um ano. Isso aconteceu na década de 50, sendo que, os pais, os irmãos, sogros e cunhados o seguiram.
Ao se estabelecer em Dourados, Ranulfo se dedicou à lavoura, mas seu tino comercial era de rolista, gambira, como era conhecida à época, o serviço de  compra e venda. “Meu pai, quando nós andava, para aqui e para ali, nas fazendas. Meu pai tocava uma tropa de burro e cavalo enorme, vinte ou trinta, aí saía negociando”, relembra, a filha.
Diferentes, a família de Ranulfo que era cigana não se dedicava a ler sorte, ou mendicância, mas ao trabalho de comercializar, explica a neta Simone, bastante orgulhosa do avô.
Com muita facilidade de adaptação e por ser muito correto em seus negócios tornou- se muito conhecido e passou a ser tratado de ‘seu Ranulfo cigano’, apelido que assumiu e incorporou com muito orgulho.


O viajante que parou as andanças por amor a Tangará

Após bom período, em Dourados,  já no ano de 1972,  a família muda-se novamente, e fixa residência em Rio Verde, também Mato Grosso, à época. Por suas andanças  de cigano, conheceu várias cidades de Goiás, e Mato Grosso, e foi assim, que ouviu falar de Tangará da Serra, despertando, a vontade de conhecer a terra tão afamada.
No ano de 1974 chega então a terra desconhecida. Há época, a cidade ainda era distrito de Barra do Bugres. Vale ressaltar que todas as andanças de Ranulfo, inclusive a mudança para Tangará foi realizada em lombo de cavalos. Ao se estabelecer aqui, a família deixou de dormir em barracas, alugando então uma casa e nunca mais andou a cavalo.
A casa alugada pela família era próxima de onde é a atual rodoviária da cidade, lugar centralizado, onde com tino para os negócios Ranulfo abriu um bar, trabalhava com afinco para que a família nunca passasse necessidade.  “Meu pai sempre zelou de sete filhos e nunca nenhum trabalhou para ninguém. Um dia minha irmã inventou de trabalhar. Ele chegou e perguntou por ela.  Minha mãe disse que ela tinha ido trabalhar na farmácia ele foi lá na hora buscar ela. Falou filha minha não trabalha para ninguém”, conta a filha sorrindo ao lembrar do ocorrido.
Ali continuou a realizar seu ‘rolos’, como era chamado à época o serviço de compra e venda. Negociava gado, cavalos, carros, casas e sítios.

Aquele que enxergava oportunidades em tudo

Visionário percebeu a oportunidade, e  inaugurou a primeira linha de transporte para as comunidades de Água Branca (na época com mais de 700 famílias), os distritos de Progresso, São Joaquim e o então povoado de Santo Afonso (na época também pertencente a Barra do Bugres). Desenvolveu este trabalho até o ano de 1978, mas devido a muitas pressões sofridas se desgostou do negócio “Meu pai começou a fazer essas linhas e um grande empresário do setor estadual, ficou com raiva e inveja dele porque ele realmente estava ganhando dinheiro e tirando os passageiros desse senhor e passou a perseguir meu pai. Mas isso não o intimidada, ele seguiu fazendo os serviços e dizia que não tinha medo de outro homem não”, conta a filha   
Além dessa inovação, Ranulfo foi o responsável por trazer de Minas Gerais os primeiros gados leiteiros existentes em Tangará. Ranulfo se encantou pela cidade e aqui fincou raízes, deixando de lado as andanças de cigano, tanto que, possuiu várias propriedades rurais em diferentes comunidades do município como Água Branca, Progresso, Triângulo, Glebamor e nos arredores da cidade, dando a certeza que tinha encontrado seu lugar. Também construiu várias casas e morou em muitos bairros de Tangará como Jardim Shangri- lá, Vila São Pedro, Centro, Jardim Santiago, Jardim Mirante, Vila Alta, Vila Goiânia etc.
Apesar do tino comercial, Ranulfo era um homem que sempre alternava os seus trabalhos entre negociante, agricultor e pecuarista, tendo trabalhado de motorista de caminhão a lavrador de roças como arroz, feijão, milho, café e mandioca. Chegou a possuir garimpos em Guiratinga e Poxoréo. Entre os vários benefícios que ajudou a trazer para Tangará, consta a doação de recursos para a construção da primeira torre de TV.


>> Rosi Oliveira - Especial DS

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