Odete Ribeiro: semeando esperança e multiplicando solidariedade

Redação 17/02/2018 Memória
Memória

Quem é ela?
Odete Luiza Ferraz Ribeiro, conhecida como Dona Odete, natural de Andradina – SP –  78 anos a completar, mãe de  8 filhos, cinco biológicos e 3 do coração, sendo 5 mulheres e 3 homens,  avó de 12 netos e 1 bisneta, empreendedora que promoveu a assistência social  como princípio de vida, uma vez que, em seus termos, “amar ao próximo como a si mesmo precisa ser traduzido em ações, pois, quem não ajuda seu próximo nas necessidades não os ama de verdade.”
Empreendedorismo e voluntariado
Acompanhando o cônjuge – Evandro Ribeiro (in memorian) – com parte das filhas e filhos, dona Odete chegou a Tangará da Serra em 1977 para empreender na comercialização de carne bovina, ação dividida em duas etapas. A construção de um abatedouro na Fazenda Bahia, terras do sogro, Marciano Ribeiro, que estava em Tangará desde 1962; e a construção da casa de carnes RR – Ribeiro e Ribeiro, localizada na Avenida Brasil, entre as Ruas 02 e 04. No ano seguinte, os empreendimentos entraram em funcionamento. Ficou à frente da gestão da “RR” por 8 anos.
Em 1978, sentindo falta do serviço voluntário, juntamente com a Família Sanches Marques e outros, constituiu a Sociedade Espírita Ramon Sanches Marques, vindo a ser sua primeira presidente. A frente dessa organização, assumiu a responsabilidade pelo programa federal “Ação Integrada de Nutrição e Saúde” - INAN, voltado à assistência de gestantes, lactantes e crianças de até 7 anos em situação de vulnerabilidade social, até que o Estado o reassumiu em meados da década de 80. Conta que os alimentos eram distribuídos nos finais de semana e atendia mulheres da zona urbana e rural. “As mulheres que moravam na roça vinham uma vez por mês, quando vinham. [...] Os produtos que, eventualmente, sobravam  eram distribuídos na creche da Dona Arlene. [...] Foi um trabalho gratificante.”
À frente da Sociedade Espírita constituiu em 1985, juntamente com outros voluntários, a Casa da Sopa Fonte de Luz, na Vila Esmeralda, voltada aos cuidados de crianças. Esse trabalho implicava em corte de cabelo, ao combate à escabiose,  à oferta de alimentação, e aulas de reforço. Ficou 8 anos na direção dessa associação. Segundo seus relatos, profissionais das áreas de saúde, cabelereiros, comerciantes, agricultores, horticultores, sitiantes e empresários de diversos setores somaram para ofertar bem-estar social às crianças. Uma das mais expressivas memórias, foi a construção de uma casa para uma família que morava embaixo de lona: “a alegria da mulher ao receber a casa, onde cada filho tinha sua própria cama, nos levou às lagrimas”.
A locomoção para a Vila Esmeralda era de fusca e as primeiras destruições de sopa foram realizadas na casa da Dona Maria Pimentel.

Acolhimento e cuidados: Casa do Idoso

No ano de 1988, em trabalhos realizados na Casa da Sopa Fonte de Luz, surgiu a ideia de fundar a Casa do Idoso. Participaram na construção do projeto: Lucrecia Gramulha Moreira, Araci Coelho, Leonilda de Carvalho e Antônio “Tuim” de Almeida, da qual dona Odete viria a ser a presidente fundadora. “O senhor Valtemar Pergo doou o terreno para a edificação da obra. Tuim providenciou a documentação necessária para a criação da instituição e, em dezembro, iniciar a construção do mesmo”. Relata ao lembrar que ganhou uma carga de tijolos para iniciar a obra, porém 600 destes foram furtados na mesma noite em que foram descarregados. “Eu entrei em contato com o senhor Viera Stelo (in memorian), proprietário de uma Serraria na Vila Esmeralda, e ele doou a madeira para cercar a obra. Sua construção durou 4 anos. Recebi todo o material doado pela sociedade. Na inauguração, em 13 de maio de 1993, estiveram presentes o governo de estado, secretários, prefeito, vereadores e, em especial, os apoiadores.”  Os primeiros moradores da casa foram cinco pessoas, três homens e duas mulheres. A casa possui capacidade para acolher 30 pessoas. Ficou à frente da casa até 2011.
Segundo Dona Odete, a Casa do Idoso é mantida com o apoio de clubes de serviços,  voluntários civis e jurídicos. Recebendo doações em espécie, alimentos e serviços clínicos, odontológicos, estéticos, dentre outros. Relata que, por vezes, a Casa ganhava tanto alimento perecível, como frutas, leite e legumes, que o excedente era distribuído para outras organizações civis e estatais, como creche e hospitais. “Quando o Tuim foi vice-prefeito (2005-2008), ele doou seu salário para a manutenção da Casa do Idoso. O Ministério Público também foi parceiro com encaminhamento de pessoas a prestar serviços comunitários. A Justiça converteu muitas penas alternativas ou em prestação de serviços ou em doação de cestas básicas à instituição”, lembra Dona Odete.

Mandato legislativo

Exerceu mandato legislativo no período de 2000 a 2004. Segundo ela, valeu pela experiência, mas prefere política do seu jeito: ajudando, encaminhando, acolhendo. Ela compara o hoje com o final da década de 70: “Tinha atoleiro em frente à Barateira. As escolinhas eram de madeira. A gente tinha energia a motor até as 22h00.  Depois desligava tudo e só era religado de manhã. Quem precisava de atendimento médico especializado precisava pegar ônibus e ir para outra cidade. Hoje está muito melhor que a 40 anos,” observa.
Seu legado
Hoje, com visão limitada, celebra suas realizações dizendo: “Meus filhos estão educados e multiplicando os ensinamentos da família. As famílias que foram assistidas, em passado recente, estão gozando de bem-estar social. As pessoas que, com a ajuda clínica especializada, superaram o vício e retomaram seus respectivos projetos de vida. A rede de solidariedade que continua a acolher crianças, idosos e famílias em vulnerabilidade social..”

Iolanda Garcia
Rodney Garcia



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