Sob protesto de acadêmicos e indígenas, audiência das PCHs é cancelada

Redação DS 29/03/2018 Geral
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Mesmo após recomendação dos Ministérios Púbicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) para suspensão de todos os procedimentos, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), manteve a audiência pública para apresentação dos projetos e os Estudos Ambientais para construção de três Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH's) no Rio Formoso.
A reunião estava marcada para a noite desta quarta-feira, 28, no auditório da OAB, em Tangará da Serra. Porém, sob protesto e gritos de 'cancela', principalmente, de acadêmicos e indígenas, a audiência foi cancelada. Ela chegou a ser iniciada e durou cerca de 40 minutos. “Viemos apenas exigir o direito de entender e conhecer melhor esse documento, de que pessoas que vão ser afetadas, sejam ouvidas”, protestou a bióloga Ingrid Leite. “Essas zonas úmidas não podem receber um impacto tão grande de  uma empresa dessa que quer, simplesmente, controlar o curso do rio, que inunda o Pantanal. Nosso Pantanal está correndo sério risco se mais uma PCH sair sem o estudo, sem o conhecimento devido”.
Também presente na audiência, o líder representante do povo Paresi e presidente do Conselho Fiscal da Federação dos Polos Indígenas do Estado de Mato Grosso, Nedino Cintra Nascimento Maizokie, afirmou que a construção das PCH's causará um impacto muito grande e negativo para os povos indígenas e a participação na audiência era para demonstrar a preocupação dos indígenas para a questão.
“Essa empresa tem um argumento muito forte, que é o desenvolvimento, e acho um absurdo jogar em cima do Rio Formoso, nosso quintal, a responsabilidade do desenvolvimento do município e contribuição ao país. Nós temos uma natureza belíssima, um nicho turístico muito forte, um rio maravilhoso, riquíssimo de espécie, flora, fauna e a gente sabe de todo esse impacto que são as barragens (…) Então vim participar no sentido de que a população não permita um estrago desse”, acompanhou o protesto, o empresário José Ricardo Tognon.
Quem também esteve presente no evento foi a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, que responde pela 1ª Promotoria Cível de Tangará da Serra, afim de continuar acompanhando o processo. “Agora a gente vai aguardar, pois a Sema suspendeu a audiência pública e vai marcar uma nova data”.
Logo após o cancelamento da audiência, ninguém da empresa ou Secretaria de Meio Ambiente quis se manifestar.
Vale ressaltar que a audiência é requisito para que a empresa receba a Licença Provisória e as condicionantes para a concessão, para que possa elaborar os projetos executivos e, posteriormente, iniciar as obras de construção.

Fabíola Tormes / Redação DS

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