João José Rodrigues, o homem que da perda fez alegrias

Redação 10/03/2018 Memória
Memória

Às vezes, perdas no percurso de nossas vidas tem o poder de mudar totalmente seu rumo.
E foi isso que aconteceu com  João José Rodrigues, que atendia pelo apelido de  João Preto. Nascido em 12 de abril de 1929, em Crato, no Sergipe, chegou em Tangará da Serra em 1969.
Era filho de Manoel José Rodrigues e Antonia Divina  Rodrigues. Filho muito amoroso, viu-se bastante perdido quando a mãe, com quem tinha uma relação muito íntima e próxima morreu.
A perda fez com que de certa forma, perdesse a vontade de fazer tudo que mais gostava. Passando por momentos de intensa tristeza e dor.
Vendo a tristeza do amigo, Mioxe, que estava de mudança para Tangará da Serra convidou João para vir conhecer o lugar, uma vez que possuía um caminhão com o qual fazia fretes em Dourados, Mato Grosso do Sul. De imediato nosso homenageado descartou a possibilidade, mas sua esposa, Jacira da Silva Rodrigues, viu no convite a oportunidade do marido espairecer e sair do lugar que lhe trazia tanta tristeza pela grande perda, por alguns dias. Sendo assim, Jacira incentivou, falou, falou e acabou por convencer o esposo a fazer a viagem.
Decisão tomada, no ano de 1969, iniciaram a viagem, enfrentando  uma estrada muito difícil, que lhes rendeu dias dormindo na estrada. Ao chegarem na Serra Tapirapuã as barreiras eram ainda maiores, pois por várias vezes o caminhão voltava ao subir, uma vez que o  cascalho fazia o caminhão derrapar, sendo necessário ser puxado por jipe traçado ou trator. Quando isso acontecia, as pessoas tinham que subir a pé até o topo da serra pois o risco era grande do caminhão tombar ou até mesmo cair nas ribanceiras.  

A oportunidade que poucos viram. A coragem que poucos tiveram

Ao conhecer o pequeno vilarejo, que há época era Tangará, viu aqui uma nova oportunidade. Resolveu trazer mercadorias para vender e assim o fez. João vinha constantemente trazer mercadorias a pedido dos proprietários de Mercearias e do Sr. Darci que tinha um bar muito frequentando por todos na cidade onde vendia também enlatados, alho, cebola, batata e sempre o que era novidade para a pequena Tangará da Serra, que na época, era apenas um vilarejo com poucas casas. Ao retornar para Dourados-MS carregava o caminhão com cereais, arroz, feijão café, entre outros.
Nessa época, já acalentava a vontade de se estabelecer em Tangará. Voltou para casa, e disse a esposa de sua vontade e a convidou para vir conhecer o lugar. Jacira então veio. Ao chegar aqui, ficou muito impactada com a precariedade do lugar, que não tinha, médico, hospital ou farmácia e se negou a mudar-se. O esposo não discutiu, com sua paciência e amor continuou a trazer as mercadorias e esperou que o tempo se encarregasse de amolecer o coração da esposa.
Em Dourados, possuía em parceria com um irmão uma máquina de beneficiar arroz, que decidiu trazer para Tangará da Serra, por perceber na região a fartura de cereais. Aos poucos foi trazendo os pedaços da máquina embaixo dos produtos que trazia para revender e com isso, trouxe inclusive a primeira cerveja de latinha que chegou no Município. Na época, o Sr Darci, dono do bar não acreditou que teria aceitação pelos moradores e com receio ficou só com 2 (duas) caixas que contém 12  (doze) latas. E para a surpresa do Sr. Darci, “não deu para quem quis”. Isso foi o que ele disse quando João retornou. Dessa vez, pediu mais 5 caixas,  pela boa aceitação.

Paciência: A alma do negócio

O tempo pasou e Jacira que já percebia melhora considerável no lugar, pelas histórias do marido e pela renda boa que tirava em Tangará, decide então acompanhá-lo e mudar-se, no ano de 1972, quando o casal já tinha os filhos Luiz, Luiza, Antonio (Bolinha) e Gislaine. A família se instalou no Progresso onde  construíram um barracão na beira da Rodovia e a casa de moradia. A construção existe até os dias de hoje na entrada do Progresso ao lado esquerdo de quem vai de Tangará. Ali, montou o maquinário de beneficiamento de arroz e moraram durante três anos.
Em 1975, mudaram-se para Tangará da Serra, pois aqui viram prosperidade. Acreditando no crescimento da cidade montou o primeiro secador de arroz, balança, e máquina que beneficiava café.  No Município nasceram mais três filhos Josiane, João e Jacileni.
Assim que mudou para Tangará se mobilizou e ajudou na eleição do “SIM” para emancipação da cidade, que era dependente de Barra do Bugres.  Em seguida  veio a eleição da primeira prefeita, Thais Barbosa que tomou posse em cima do caminhão na Praça da Bíblia, pois não existia Prefeitura, como relata a esposa, que  conta a história, com lágrimas incontidas nos olhos.

A Homenagem

Com uma inteligência genial, com sua experiência de vida sem medo de encarar os desafios que a vida ofereceu,  focado em transmitir o bem as pessoas este é o exemplo de um Pai e avó que deixou na lembrança de seus familiares um guerreiro que partiu no dia 04 de Julho de 2011,fazendo o pedido, embora sem saber, um dia antes de falecer, que queria ser enterrado com os pais  no jazido da minha família em Dourados-MS, o que a família fez questão de realizar. Por tamanha contribuição a Tangará da Serra, foi homenageado pela vereadora, Dona Neide e seu nome foi eternizado, na Rua 10 no Jardim Tarumã onde mora um dos seus Filho, Antonio (Bolinha).
Teve sete filhos, desses dois faleceram e deixou cinco netos, além de uma esposa amorosa que chora copiosamente sua partida.

Rosi Oliveira / Especial DS



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