Juíza volta às redes sociais para explicar postagens polêmicas

Redação 14/04/2018 Geral
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Três dias depois de ter provocado polêmica com postagens irônicas no Instagram, a juíza Anna Paula Freitas, da 2ª Vara Criminal de Tangará da Serra, voltou às redes sociais neste sábado, 14, para postar uma retratação "à sociedade, à imprensa e, principalmente, aos advogados".
Na nota, a juíza lamenta que o conteúdo das mensagens que postou tenha "viralizado de forma equivocada". "Jamais tive a intenção de praticar qualquer ato de ironia, ou, desrespeito para com quem quer que seja, principalmente para com os advogados", disse, em um trecho.
Nas postagens, realizadas durante uma audiência, a juiza reclamava das "perguntas idiotas" de um advogado. "Aquela falta de paciência que vai dando quando a audiência é estressante e o advogado começa a fazer pergunta idiota!”, comentou, na legenda de uma selfie.
Em outro registro, a magistrada faz nova crítica. "Aquela satisfação quando da pergunta idiota vem uma resposta que é tudo o que a defesa não queria ouvir”, dizia a legenda, seguida de vários emojis de risadas.
Na retratação, a juíza lembra que a divulgação das mensagens se deu por meio do vazamento de uma conta fechada do Instagram, "supostamente só para amigos". Até o final da tarde deste sábado, a conta da juíza tinha exatos 3.626 seguidores.
"As declarações que postei na minha rede social (fechada supostamente só para amigos) foram postas à população, aos magistrados e, principalmente, aos advogados em geral, e tomaram grandes proporções na mídia", afirma ela.
A magistrada justificou o teor de suas declarações dizendo que agiu como uma "cidadã comum". "Infelizmente (...) a cidadã comum - que reclama da fila do banco ou de uma atitude de um semelhante - tomou o lugar da juíza".
Advogada - A controvérsia relacionada às postagens não ficou restrita às redes sociais. Na sexta-feira, 13, a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) pediu providências à Corregedoria Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT).
Conforme a entidade, a juíza usou o aplicativo para fazer manifestações "desdenhando, atacando e desqualificando a atuação de profissionais da advocacia".
A OAB-MT reclamou que, além da repercussão na mídia, o caso também causou indignação à advocacia da região, que passou a relatar atitudes semelhantes por parte dela em outras ocasiões.
Na nota, a juíza menciona o fato de ter atuado como advogada antes de chegar à magistratura e diz que se trata de uma profissão que sempre respeitou e da qual tem "muito orgulho".
"Quem atuou comigo nas cinco comarcas que citei, sabe do respeito, da isonomia e da seriedade com os quais sempre tratei a classe - que compreendo o importante papel quem possuem diante da sociedade".

CONFIRA A NOTA, NA ÍNTEGRA:
Bom dia!
Recentemente, por meio deste meio de comunicação - sim, trata-se de um meio de comunicação que em muitas vezes usamos de forma casual - fiz duas postagens que devem ser refletidas. Por este motivo, emito uma nota à sociedade, à imprensa e, principalmente, aos advogados, no post a seguir:
Nota pública
Em outubro deste ano completo 14 anos no pleno exercício da magistratura em Mato Grosso. Cargo que ocupo com honra, amor, dedicação e responsabilidade. Ao longo desses anos, atuei nas comarcas de Nova Canaã do Norte, Colíder, Alto Araguaia, Alta Floresta e, agora, em Tangará da Serra. Isto, sempre trilhando um trabalho sério em favor da população e do Estado, pautada no respeito com agentes que compõem o trâmite jurídico.
Contudo, infelizmente, em data recente, a cidadã comum - que reclama da fila do banco ou de uma atitude de um semelhante - tomou o lugar da juíza. As declarações que postei na minha rede social (fechada supostamente só para amigos) foram postas à população, aos magistrados e, principalmente, aos advogados em geral, e tomaram grandes proporções na mídia.
Infelizmente, viralizou de forma equivocada, pois jamais tive a intenção de praticar qualquer ato de ironia, ou, desrespeito para com quem quer que seja, principalmente para com os advogados.
A advocacia é uma profissão à qual servi, honrei e sempre respeitei e da qual tenho muito orgulho pois, antes de magistrada, fui advogada.
E é para os advogados que dedico este ultimo trecho desta nota. Quem atuou comigo nas cinco comarcas que citei, sabe do respeito, da isonomia e da seriedade com os quais sempre tratei a classe - que compreendo o importante papel quem possuem diante da sociedade.
Em respeito à população, aos advogados, bem como pela Justiça, senti a necessidade dessa explicação, como forma de retração.

Midia News



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