Sexo, cor e idade ainda são entraves para adoção

Redação DS 23/05/2018 Geral

Predileção faz com que muitas crianças não sejam adotadas

Geral

Comemorado no dia 25 de maio, o Dia Nacional da Adoção é uma data que inspira debates e reflexões, muito embora no Brasil os temas envolvendo crianças e adolescentes tenham sido fontes de discussões permanentes pelo poder público e entidades privadas, na tentativa de dar cumprimento integral e aprimorar cada vez mais o atendimento ao seu bem-estar, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Embora bastante debatido, para que a rapidez no processo aconteça, ainda há entraves que atrasam em muito para que esse ato de amor se concretize.
Prova disso, são os inúmeros procedimentos necessários a concretização da adoção. Em Tangará da Serra por exemplo, há 23 pretendentes habilitados na lista de espera, e alguns estão nela há mais de anos.
Para esses 23 pretendentes, temos um número ínfimo de crianças na condição de serem adotadas, que já tiveram o pátrio poder destituído, mas mesmo assim continuam a espera de um lar.
Hoje, a Casa da Criança, onde ficam as crianças a espera de um lar provisório ou permanente, conta com sete crianças. Destas, somente duas prontas para a adoção.
Vale ressaltar, que no  ano passado, três crianças foram adotadas e em 2018, até o momento também três foram adotadas.
Um dos pontos, é que ainda nos dias atuais, há predileção na hora de adotar e geralmente as meninas levam vantagens. Somando-se a isso a pele clara e até dois anos de idade.
Tais entraves acabam por fazer com que crianças que não se enquadram nesse padrão fiquem por anos aguardando uma família, ou nem mesmo cheguem a conseguir, como informa a Psicóloga do Poder Judiciário de Tangará da Serra, Valéria Martinazzo. “As famílias que fazem o cadastro tem preferência de crianças e isso está mudando com muita dificuldade. Estão indo muito devagar as mudanças que estão acontecendo”, pontua. “Isso é uma situação difícil, porque a maioria das mães que acabam entregando ou que as crianças são retiradas, são mães de pele escura”, ressalta.

Cadastro é o primeiro passo para pretendentes à adoção

Com a correria dos dias atuais, as pessoas tem lidado com muitas dificuldades e uma delas, é a impossibilidade de gerar filhos.
Algumas dessas pessoas são relutantes, mas nesse vasto campo, existem aquelas que não se importam em ter filhos ‘do coração’.
Segundo a Psicóloga do Poder Judiciário de Tangará da Serra, Valéria Martinazzo, o caminho para essa possibilidade é bastante simples. Basta procurar o Fórum. “Para se habilitar a pessoa precisa ir até o fórum, vai pegar uma documentação que precisa ser preenchida e vai passar por uma avaliação psicológica. Vão ter cursos para serem feitos e após isso, eles estarão aptos à adoção”, informa, salientando que a partir daí, toda criança que estiver pronta para a adoção será comunicada ao pretendente, independente de sua escolha inicial. “Mesmo que a pessoa tenha colocado na documentação a especificação de que a criança deve ser clara, de tal idade, a pessoa será comunicada se a criança não se encaixar nesse perfil, porque adoção é muito visual e às vezes ao ver, ela se encanta e diz, esse é meu filho. É ele que eu esperava”, relata.

Rosi Oliveira / Redação DS

Notícias da editoria