‘Quem come minha Carne e bebe meu Sangue permanece em Mim e eu nele’

Redação DS 30/05/2018 Curtas

Artigo Sílvio Tamura

Curtas

A noite caía e a cidade adormecia. O povoado era cercado por muralhas, arquitetadas contra os inimigos. A vida noturna emudecia e o silêncio reinava entre os espaços. Apenas alguns soldados vigiavam, percorrendo logradouros. Nesta época, Jesus já era extremamente perseguido e ao aparecer em público, logo um aglomerado de pessoas se formava. Odiado por uns e amado por tantos, o Salvador pregava a Palavra, realizava milagres, curava doenças, levava esperança e disseminava a Fé. Por isso, era tão detestado pelos opositores. Muitos temiam que Ele tomasse o poder pelo carisma, respeito, fascinação e devoção que despertava. E tal fato era mal visto pelos contraditores. A ordem era clara: capturar o Messias a qualquer custo. E para isso, os oficiais investigavam seu paradeiro, procurando-o. Nosso Senhor incumbiu Pedro e João (Cf. Lucas, 22:8) na tarefa de preparar a Ceia Pascalina. Prontamente, perguntaram-lhe: ‘Onde queres que preparemos a refeição da Páscoa?’ (Marcos, 14:12). O Nazareno respondeu-lhes: ‘Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: [...] É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos’ (Mateus, 26:18). E assim, os seguidores obedeceram. Frente às perseguições, o Redentor previa que sua vida beirava o fim. ‘Meu tempo está próximo’ (Mateus, 22:18). Assim, o Salvador queria se reunir derradeiramente com seus escolhidos. Devido às tentativas de prisão, os encontros entre Mestre e Apóstolos ocorriam em ambientes secretos. O local definido para a Santa Ceia foi a residência de um seguidor; e transcorreu no piso superior do imóvel. Ao chegarem, estava tudo preparado. A mesa era grande, retangular e comprida, forrada com tecido especial. Havia pães ázimos e vinho, como solicitado. Todos compareceram, conforme avisados. Cristo ocupava o centro, discursando; e os Doze ouviam atentamente. Jesus tomou o pão, abençoou e o partiu, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é o meu corpo’ (Mateus, 26:26). Tomando o Cálice, rendeu graças e proferiu: ‘Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados’ (Mateus, 26:27-28). Os prenúncios do Redentor se concretizaram: foi negado por Pedro três vezes (Cf. Marcos, 14:26-31), traído por Judas Iscariotes (Cf. Mateus, 26:14-16), levado diante de Pôncio Pilates (Lucas, 23:1-7) e Crucificado (Cf. João, 19:17-27). Nesta quinta-feira, 31 de maio, celebramos o Corpus Christi (do latim, Corpo de Cristo), solenizando o Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor. Não é um simples feriado, mas a data em que Cristo sai às ruas, em Procissão, acompanhado pelos devotos, em manifestação pública de Fé, igualmente fazia Jesus. Queridos irmãos e irmãs, estão todos convidados a participar das cerimônias, expressando a presença Eucarística entre nós. A Hóstia não é um mero produto panificado, mas a representação do Corpo de Cristo, oferecido após a consagração. Este é um dos momentos mais importantes da Santa Missa, reiterando o que Jesus dizia: ‘Quem come minha Carne e bebe meu Sangue permanece em Mim e Eu nele’ (João, 6:56). Tamanha deferência, alguns angelólogos e doutores angélicos defendem que neste instante os Anjos da Guarda surgem ao lado de seus protegidos. Quando for receber a Hóstia, chame seu Guardião Angelical para lhe acompanhar neste louvado momento, recebendo juntos, lado a lado, o Corpo de Cristo.

Sílvio Tamura. 'Ó, Meu Senhor, sei que não sou nada. Sem merecer, fizeste em mim Tua morada. Mas ao receber-Te, perfeita Comunhão se cria. Sou em Ti, És em mim...’  

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