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  Tangará da Serra, 20 de setembro de 2017.  
Tangará da Serra - MT


Em 18/02/2017
Dionísio Pantaleão Pacheco do êxodo à terra prometida


O casal trouxe cinco filhos e aqui tiveram mais seis filhos


A história que vamos contar hoje é de seu Dionísio Pantelão Pacheco, com 57 anos vividos em Tangará da Serra. No auge de seus 80 anos de idade, afirma que chegou aqui em 1965. Veio de Itaiumim, perto de Governador Valadares-MG, com Conceição Maria de Jesus, em busca de um sonho. Morou um ano no vilarejo que viria ser sede politica administrativa deste Município. No ano seguinte, mudaram-se para o sítio localizado na comunidade de Belo Horizonte, onde comprou cinco alqueires de terra, hoje, próximo a Escola Municipal Agrícola Ulisses Guimarães, onde vive até hoje.
O casal trouxe cinco filhos e aqui tiveram mais seis filhos. Todos nascidos em casa, de parto normal, alguns, com ajuda de parteira; outros, sozinha. Conta dona Conceição que não precisou frequentar o hospital nos períodos de gestação e pós-parto. Ou seja, conforme sugere, o nome, dona Conceição se fez genitora de 11 filhos, aos quais ensinou os valores culturais a ela confiados.
Seu Dionísio conta que veio quase todo mundo do lugar onde morava. Naquela época (1965) vieram uns quatro ou cinco caminhões lotados de gente de Itaiumim –MG. Lembra que a viagem encima de caminhão foi ruim. Aqui chegando, ficaram poucos dias em uma casa cedida no vilarejo, mas logo saíram porque não tinha água para beber e o vizinho que tinha um poço não gostava muito de dar água.
Em terras tangaraenses viveram literalmente o ditado popular ‘quem chega primeiro, bebe água limpa.’ “A gente levantava com o escuro para ir lá ao bosque buscar água, aquele que pegava primeiro pegava água limpa, agora os outros chegavam e iam pegar depois era aquela água toda branca, um pegava o balde, passava e sujava. Hoje, o povo tem muito higiene, mas quando nós chegamos não tinha jeito”, lembrou seu Dionizio.
A imagem da cidade, em 1965, que marcou seu Dionísio, eram das 10 casinhas que tinham perto do cemitério velho, onde, hoje, se encontra o Memorial dos Pioneiros. “Todas as casas eram construídas de coqueiro, daquelas que quem está dentro vê todo mundo que passa lá fora e quem está fora vê todos que estão lá dentro, de tanto buraco que tinha”.
No ano de 1967 mudou para o sítio Pacheco, onde mora até hoje, “Quando nós entramos aqui no sítio era lotado de bicho; tinha muita paca, anta, capivara, tatu. Não tinha nada de gente. Ficamos aqui, abrimos um alqueire para plantar arroz, milho, feijão. Depois, abri mais o sítio e comecei a plantar café”.
Seu Dionísio lembra que plantava, colhia, vendia os produtos e comprava mais um pedaço de terra. Sempre trabalhando muito e tendo como parceira a esposa e, depois, os filhos que foram crescendo: “a gente carregava arroz nas costas para vender. Eu pegava três latas de arroz e ela (a esposa) pegava uma lata e levávamos nas costas, de madrugada, dentro das picadas para vender na cidade. Não tinha estrada. Chegava lá, vendia, comprava as coisas – tipo açúcar, sal, e outras coisas – e voltávamos embora”.
Ele contou que trabalhava muito. A terra era muito fértil. Plantava pouco e colhia bastante. A exemplo do Deus grego de mesmo nome, seu Dionizio conhecia os segredos do plantio e da colheita. “Só que não tinha como tirar a produção para vender, nem tinha onde guardar, então, perdia tudo. Depois de tempos, as coisas começaram a melhorar. Fizemos um caixote com rodas e os bois puxavam; esse foi o nosso primeiro meio de transporte. Nesse tempo ficou mais fácil levar produtos para vender na cidade. Aí dificuldade era a estrada que não tinha”.

Cortejo acompanhado com carroça

Um velório em setembro de 1977, da dona Olinda Mariano de Jesus, uma anciã com 77 anos, mãe do seu Miguel que trabalha na prefeitura. Eles moravam aqui na comunidade Belo Horizonte e trouxeram o caixão para o cemitério na carroça.” Lembra ele que no dia deu uma chuva forte, com vento, que  derrubou árvores na estrada. Eles tiveram que cortar as árvores no machado para poder passar a carroça e levar o corpo até o cemitério.  
Cortejo em frente à igreja matriz, onde hoje é a rotatória que marca o encontro da Avenida Brasil com a Avenida Tancredo Neves.


Bodas de ouro e cumprimento da promessa

Quando realizaram a Bodas de Ouro, dona Conceição pediu a seu Dionísio que viesse até a igreja matriz e comprasse uma imagem de Santo Antônio. Ele veio à cidade e esqueceu-se da encomenda. Ela o fez voltar e comprar o santo. Essa exigência deixou os filhos curiosos para saber o motivo desse pedido. Dona Conceição contou que, no dia do casamento dela, em 10 de dezembro de 1953, antes da cerimônia, houve uma briga entre os familiares e ela pediu a Santo Antônio que se o povo se acalmasse e não brigasse, a festa fosse calma, ela se cassasse e vivesse 50 anos juntos com o marido. Na cerimônia de Bodas de Ouro, ela levaria para o altar a imagem do santo. Tudo deu certo e ela teve a chance de pagar a promessa no dia 10 de dezembro de 2003.

HOMENAGEM

Por ter contribuído com o desenvolvimento do município, em maio de 2016, seu Dionísio recebeu da Câmara Municipal de Vereadores o Título de Cidadão Tangaraense, “no dia ele estava no hospital, quem recebeu a placa foi a filha Maria, e não participei da cerimônia. Tinha feito uma cirurgia. Mas levamos a placa para ele no hospital. Ele mostrava para todas as visitas, com muito orgulho, a horaria recebida”, lembra a Aparecida, que nos auxiliou na construção dessa memória.

>> Iolanda e Rodney Garcia - Especial DS




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